quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vindima 2013 - 08 - Dom Cândido quer qualidade e não volume





                                              Dom Cândido contando suas histórias
                                              Foto DU/JN

Na visita à vinícola Dom Cândido encontra-se um pedaço importante da história do vinho gaúcho, pois Candido Valduga, do alto dos seus 81 anos, conta como começou a trabalhar em vinhedos aos 8 anos de idade e quando tudo era feito à mão e não com máquinas como acontece hoje. Mesmo crianças, trabalhavam até nos sábado à noite, nos domingos cedo tinham que ir à missa, caminhando 7 quilômetros, voltavam oara o almoço com toda a família, folgavam nas tardes de domingo, quando não era época de colheita e, à noite, todos tinham que estar à mesa do jantar em família, um pouco antes de irem para a cama.
Dom Candido gosta de beber um cálice de Merlot todos os dias. Uma garafa, quando não está muito inspirado, dura-lhe três dias.
Ele diz que, nos tempos atuais, a primeira vinícola do Vale dos Vinhedos foi a Casa Valduga e a segunda a Dom Cândido, três anos antes da Miolo. Está há 27 anos no mercado. O vinho não é barato, segundo ele, por causa da carga tributária. A uva Marselan, que ele trouxe da França, não passa por barrica e desce redondo. O vinho Tannat 80 Anos, elaborado pelos filhos em sua homenagem, quando completou 80 anos, em 2012, contém Tannat, Marselan e Merlot e é vendido por R$ 138,00. Vale a pena pagar.
O enólogo Daniel de Paris, que produz os vinhos, informa que a produção anual é de 240 mil litros/ano de vinhos finos, em torno de 300 mil garrafas. A Dom Cândido tem 12 hectares no Vale dos Vinhedos e outros 40ha na cidade próxima chamada Veranópolis. Dom Candido fez questão de levar-nos até o vinhedo de Merlot que ele cuida pessoalmente e cuja colheita começará segunda-feira, dia 11. Dali, ele faz um Merlot DOC, como determinam as regras, só com uvas do Vale dos Vinhedos, 100% varietal. “Me deixa pobre que eu te deixo rico” é uma frase que ele usa para explicar o plantio da boa uva e a elaboração do bom vinho. A uva precisa de terras pobres e também ser desfolhada e podada de alguns cachos para aumentar a qualidade do vinho. No caso da uva Marselan, por exemplo, ela normalmente produz três cachos e dois tem que ser extirpados para que o outro cresça com qualidade. Os italianos antigos queriam era produção. Quanto mais uma parreira produzisse, melhor. Não pensavam em qualidade. Daí, surgiu aquela história de que velhos produtores, como Darci Miolo, da Vinícola Miolo, e Dom Candido, viravam de costas para os vinhedos na hora da poda verde, quando os trabalhadores arrancam dois, três cachos e jogam fora. Dom Candido nasceu em 4 cde outubro de 1931 e no próximo aniversário pretende abrir mais algumas garrafas do Tannat 80 Anos. Na primeira festa, foram 55 convidados, que beberam 42 garrafas.

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